Terms & Conditions

This privacy policy describes how our company collects, uses, and protects the information you provide when subscribing to our newsletter.

Information Collection

When subscribing to our newsletter, we collect your name and email address. This information will be used exclusively to send the newsletter and will not be shared with third parties.

Information Use

We use your name and email address only to send the newsletter. Occasionally, we may send other information about our products and services that we believe may be relevant to you.

Information Protection

We take the security of your information very seriously and take appropriate measures to protect it. Your data is stored in a secure environment and protected against unauthorized access, use, or disclosure.

Unsubscribing

You may unsubscribe from the newsletter at any time by clicking the "Unsubscribe" link in the footer of each email sent.

Updates to the Privacy Policy

We may update this privacy policy periodically. Any changes will be posted on this page.

Contact Us

If you have any questions or concerns about our privacy policy or the handling of your personal information, please contact us through the channels provided on our website.

Nosso Fogo Sagrado

O Ashram interior

Um ashram, por definição, é um lugar sagrado onde um guru vive com seus chelas, discípulos que comprometem suas vidas com a prática, o serviço e o cultivo de um ethos compartilhado. Não é meramente um local físico, mas um campo vivo. Uma frequência sustentada por disciplina diária, silêncio, devoção e cuidado. Dentro de um ashram, a própria vida se torna prática. As menores ações — varrer o chão, preparar alimentos, entoar mantras, cuidar da terra — não estão separadas do caminho espiritual. Elas são o caminho.

É por isso que o ashram representa a união de todos os yogas. O Karma Yoga vive no serviço altruísta, oferecido sem reivindicação pessoal. O Jappa Yoga se desdobra por meio de práticas espirituais repetitivas que estabilizam a mente e refinam a percepção. O Bhakti Yoga respira através da devoção, não apenas em direção ao despertar pessoal, mas em direção à própria vida, ao bem invisível que é silenciosamente nutrido por meio da constância e da fé. E o Hatha Yoga está presente como o profundo casamento interior do sol e da lua, do esforço e da entrega, da vontade e da receptividade, alinhando o eu subjetivo a uma devoção objetiva ao mundo.

Vivi este ensinamento de forma íntima durante meu tempo em um ashram na Venezuela, acompanhando meu guru enquanto ele ativava e nutria diferentes ashrams por toda a América do Sul. O que mais me impressionou não foi a estrutura externa, mas a coerência interna. A compreensão de que esses espaços não eram retiros da vida, mas motores de transmissão, contribuintes silenciosos para a terra, os lares ao redor, a própria cidade. Lugares onde o trabalho espiritual era oferecido não de forma ruidosa, nem visível, mas fielmente, dia após dia, para que algo mais sutil pudesse ser sustentado no campo coletivo.

O ensinamento mais profundo que recebi foi simples e radical: não fomos feitos para escapar para os ashrams, fomos feitos para nos tornarmos eles. Nossas casas também podem ser consagradas. Não por meio da perfeição ou da austeridade em um sentido moral, mas por meio do alinhamento intencional. Uma casa pode se tornar um ashram quando sustenta o silêncio, a conexão genuína e dinâmicas relacionais saudáveis. Quando é organizada não apenas para a eficiência ou a estética, mas para que a vida possa fluir bem através dela.

É aqui que ferramentas como o Feng Shui revelam sua sabedoria, não como superstição, mas como inteligência espacial. Sabemos, por meio da epigenética, que nosso ambiente influencia diretamente quais genes são expressos. Os espaços que habitamos ou sustentam a vitalidade ou a suprimem. Um lar-ashram é aquele em que o ambiente trabalha a favor da vida: a luz é acolhida, o ar circula, os objetos são respeitados, a natureza é convidada a entrar. Nada é excessivo, nada é negligenciado. A energia é permitida a espiralar, não a estagnar.

Mas o ashram não é apenas físico. Ele é relacional. Vive na forma como falamos uns com os outros, como lidamos com os conflitos, como honramos os ritmos de descanso e atividade. É cultivado por meio das escolhas diárias, muitas vezes invisíveis, que geram confiança, segurança e pertencimento. Com o tempo, isso cria uma espiral, onde a alegria alimenta a conexão, a conexão alimenta a presença e a presença alimenta o sentido.

A austeridade, neste contexto, é frequentemente mal compreendida. Não se trata de negar beleza, conforto ou abundância. A verdadeira austeridade é simbólica. É a disciplina da guarda. O reconhecimento de que nada é verdadeiramente “nosso”, mas nos é confiado por meio do dharma. Não somos donos, somos cuidadores. Este é o ensinamento mais profundo por trás de práticas como o Brahmacharya. A abstinência não é repressão; é a gestão consciente da força vital. A pergunta que sustenta toda contenção espiritual é a mesma: sou capaz de sustentar verdadeiramente aquilo que me foi confiado guardar? Posso permanecer fiel ao que estou construindo?

Sempre que essas perguntas surgem em mim, elas frequentemente se traduzem, em meu coração sagitariano, em uma crise de visão e de fé. E, por ser uma crise de visão, retorno à visão. Vejo meu guru sentado no altar do templo de Santo Antônio do Descoberto, no Brasil. Vejo-o simplesmente fazendo aquilo que veio fazer aqui, cumprindo sua missão sem hesitação ou dúvida. Vejo o fogo sagrado mantido firme, o templo mantido limpo, não apenas fisicamente, mas energética e devocionalmente, para que possa acolher qualquer alma que esteja pronta para se reunir, receber, lembrar. Nesta visão, não há drama, nem urgência, apenas continuidade. Presença. Serviço. E ao lembrá-lo, lembro-me de mim mesma. Lembro-me de que a guarda não é sobre certeza, mas sobre comparecer repetidas vezes com integridade. O fogo não pede para ser explicado, pede para ser cuidado.

À medida que nos colocamos no limiar do solstício, entrando em Capricórnio no Hemisfério Norte, este ensinamento torna-se especialmente potente. O solstício marca a noite mais longa, o reinado do silêncio, da introspecção e da escuta interior. A noite não é ausência; é gestação. Capricórnio recebe essa escuridão não como perda, mas como matéria-prima. Ele pergunta: o que você irá construir com aquilo que integrou?

Os ashrams, sejam físicos, domésticos ou internos, existem porque alguém acreditou no invisível tempo suficiente para cuidá-lo diariamente. Eles existem porque a fé foi praticada, não pregada. Porque o silêncio foi honrado como fértil. Porque a devoção foi vivida como responsabilidade.

Criar um ashram em casa não é imitar a tradição, mas encarnar sua essência. Sustentar os lugares que sustentaram o nosso despertar. Tornar-se um contribuinte silencioso para uma humanidade futura, enraizada na coerência, na boa guarda e na reverência pela vida. Talvez a era dourada não chegue de repente. Talvez ela seja construída cômodo por cômodo, relação por relação, casa por casa, por aqueles que se lembram de que a espiritualidade nunca foi feita para ser separada de como vivemos. E talvez esta noite mais longa esteja simplesmente nos perguntando: que tipo de espaço estou cuidando, e o que ele permite que nasça?

Nota Pessoal

Quero oferecer minha mais profunda gratidão a siendo, como espaço, como corpo vivo e como professora. Ele me permitiu praticar verdadeiramente os ensinamentos que meu guru me transmitiu e tecer na vida cotidiana a sabedoria que recebi enquanto vivi em ashrams e enquanto retornava, repetidas vezes, aos templos. Cada uma dessas experiências nutre uma memória viva dentro de mim, uma memória que me lembra como cuidar, como zelar, como me tornar guardiã do espaço em vez de proprietária dele.

Sou profundamente grata a cada pessoa que me deu forças para continuar acreditando em meu caminho e a todos aqueles que passaram por siendo. Cada presença deixou uma marca, de gratidão, pertencimento, alegria, fé e esperança, moldando silenciosamente o campo e lembrando-me de que um espaço se torna sagrado pela sinceridade daqueles que o habitam.

Também desejo agradecer a todos os colaboradores que passaram por estas portas, que, mesmo que por pouco tempo, compartilharam seu conhecimento, sua dedicação e seu cuidado. Por meio deles, aprendi, repetidas vezes, como atender a este ashram urbano com humildade, responsabilidade e devoção.
E, por fim, minha mais profunda gratidão a Cauhe, meu companheiro de vida, por ser o guardião último do meu fogo sagrado, sustentando, protegendo e honrando a chama para que ela possa continuar a servir, iluminar e permanecer verdadeira.

< Back to Journaling